Supervisor de Ensino
EXERCÍCIOS DE DISSERTAÇÃO SOBRE OS AUTORES DO MÓDULO V
1)Isabel ALARCÃO no livro Professores reflexivos em uma Escola reflexiva trata da importância da Informática para os alunos, professores e Escola, da formação do professor reflexivo e de Gerir uma Escola reflexiva, onde afirma : “ Gerir uma Escola reflexiva é gerir uma Escola com projeto.” Disserte sobre essa afirmação a partir da L.D.B. brasileira em vigência.
A afirmação acima, se contextualizada com a L,D.B. brasileira significa que cada Unidade Escolar do sistema público ou privado tem como atribuição discutir, elaborar, produzir e implementar o seu próprio Projeto Político Pedagógico, fundamentado nas diretrizes gerais da Legislação vigente e privilegiando as prioridades e peculiaridades da Escola e das demandas da comunidade circundante.
Esse projeto deve ser capaz de mobilizar e incluir a participação de todos os atores envolvidos, a saber, a Escola com seus alunos, professores, funcionários, os pais e todos os agentes sociais que compõem a referida Escola.
É importante ressaltar que do Projeto enunciado espera-se um projeto conseguido, ou em outras palavras, de um projeto concebido para um projeto em ação, que, periodicamente, será revisto, re-avaliado e reformulado, à medida que a prática indicar pontos fracos e objetivos já defasados em relação ao projeto inicial.
O resultado da gestão escolar reflexiva é ter a garantia e a satisfação de saber que a Escola tem rosto próprio e é respeitada por isso,, pelo fato de ter sua própria identidade.
2)Vera Maria CANDAU no livro Reinventar a Escola defende a idéia de que deve haver uma articulação entre Escola e Cultura, superando a concepção tradicional da monocultura escolar predominante e implementando uma interculturalidade. Se aplicarmos essa tese ao sistema educacional brasileiro, quais seriam os maiores entraves e desafios para que essa proposta fosse viabilizada, na prática.
CANDAU demonstra que o mundo está passando por profundas mudanças em todas as suas dimensões, embora estejamos muito distantes de construir uma sociedade democrática e igualitária. Isso porque o projeto neo-liberal hegemônico, enquanto produz novos conhecimentos e tecnologias, produz também marginalização e exclusão.
Em contrapartida, cresce a cada dia a consciência de caráter multicultural, dada a miscigenação étnica e os processos de hibridação cultural se multiplicam por toda parte.
O fenômeno do multiculturalismo significa a presença de diferentes grupos numa mesma sociedade.
O interculturalismo supõe deliberada inter-relação entre diferentes culturas, valores, princípios e trata-se de um processo permanente e inacabado, marcado por uma relação dialógica e democrática, entre as diferentes culturas e grupos sociais.
Segundo CANDAU, a perspectiva intercultural exige como critérios básicos: a educação como prática social, a articulação de políticas educativas como prática pedagógica ( isto é, reconhecer e valorizar a diversidade cultural) e a educação como enfoque global, afetando a cultura escolar e social.
3) Francisco IMBERNON no livro: Formação docente e profissional- formar-se para a mudança e a incerteza faz um balanço crítico dos limites da Escola tradicional que, basicamente, transmitia o conhecimento como algo pronto e acabado. Propõe, num segundo momento, uma atuação mais ativa e eficaz no planejamento, desenvolvimento e avaliação de seus programas educacionais.
Disserte a respeito dessa proposta do autor.
IMBERNON está preocupado com as limitações que a Escola enfrenta no seu cotidiano, cheio de problemas e imprevistos e enfatiza a premência e a necessidade de envolver todos os atores (alunos, professores, funcionários e comunidade escolar) na tarefa de planejar os objetivos e metas que a Escola pretende alcançar. Baseado nesse planejamento crítico e criterioso, a Escola procurará desenvolver sua programação com rigor e responsabilidade. A avaliação contínua interna e externa fornecerão índices de sucesso ou de fracasso escolar e deve servir como bússola e diretriz, no sentido de manter e aperfeiçoar o que está funcionando adequadamente e rever e modificar os pontos fracos que não estão sendo atingidos.
Concluindo, o autor propõe a reformulação de programas e estratégias que auxiliem o bom funcionamento da Escola para que ela cumpra, efetivamente, seu papel histórico-social de educar na vida como um processo e para a vida pela sua solidez e abrangência.
4) Vera Maria CANDAU no livro Sociedade, Educação e Cultura(s):questões e propostas centraliza seu enfoque na pluralidade cultural, multicultural e exclusão social.
Disserte sobre essa questão complexa e atual.
A autora em tela questiona e aponta os limites da Escola no que se refere à realidade multicultural: as diferenças entre classes sociais, gênero, etnia, religião, ideologia desvelam o caráter predominantemente monocultural da cultura escolar e a enorme dificuldade de se lidar com as diferenças.
Na verdade, articular igualdade e diferença constitui hoje, um dos maiores problemas e desafios para todos os educadores e educadoras: desde as famílias, as Escolas e o meio social.
Por séculos seguidos a Antropologia defendeu a tese do eurocentrismo, da superioridade do branco e pelo processo cultural há ainda fortes preconceitos, discriminações e esteriótipos nos diferentes grupos e classes sociais. Apesar disso, os autores do livro apostam na proposta da adoção de uma educação intercultural como uma possibilidade fundamental para construir sociedades democráticas, onde a afirmação da igualdade e da diferença não se contraponham, mas pelo contrário, se intercruzem no desenvolvimento de relações sócio-educativas e sejam continuamente trabalhadas, onde se educa para a tolerância e o respeito mútuo.
5) Juan Gimeno SACRISTAN no livro Compreender e transformar o Ensino afirma que é um problema complicado definir o conteúdo de ensino porque há diversos enfoques, perspectivas e opções conceituais.Mas, de uma coisa, o autor tem certeza, ou seja, que a Escola visa formar integralmente o educando na tripla dimensão: formação humana, profissional e da cidadania.
Interprete essa afirmação.
A Escola, tradicionalmente apenas fazia a instrução, repassando e reproduzindo saberes neutros, na maioria das vezes, desconectados da realidade dos alunos.
Porém, gradativamente, a partir da tomada de consciência dos limites do sistema educacional, a Escola vai assumindo um compromisso mais amplo de propiciar uma formação humana sólida, abrangente, coerente e conseqüente; uma formação voltada para o mundo do trabalho que passa por profundas mutações e revoluções; e a formação da consciência da cidadania no sentido de superar a pretensa e enganosa neutralidade científica.A dimensão política não permite ao educador e educando ficarem insensíveis diante da exclusão social da maioria da população.
A Escola precisa fazer um grande esforço curricular e metodológico de conseguir trazer o mundo real para dentro da sala de aula. O mundo inteiro cabe na sala de aula de um educador plugado com ele e de educandos, ávidos de conhecê-lo e transformá-lo. A formação integral significa atingir essas três dimensões indissociáveis e um aluno realmente formado é algo extraordinário em termos histórico-sociais, que não tem preço e é impossível avaliar em todas as suas dimensões.
6)Antonio NÓVOA no livro: As Organizaçoes Escolares em análise aborda os processo de mudança e inovação educacional que passam pela compreensão das Instituições Escolares em toda a sua complexidade técnica, científica e hum,Ana, deixando para trás a perspectiva tradicional que privilegiava ora o nível micro da sala de aula, ora o nível macro do sistema educativo, passando a tratar o nível meso de compreensão e intervenção. Interprete os conceitos e idéias essenciais contidos nessa afirmação.
Segundo o autor, a educação escolar está passando por profundas mudança e inovações nos campos econômico, político e social que repercutem diretamente na organização escolar.
Essas mudanças indicam que a Escola envolve uma complexidade técnica no sentido da gestão dos recursos humanos, materiais e financeiros; uma dimensão científica na perspectiva de democratizar e produzir um novo conhecimento capaz de responder às demandas e prioridades advindas da sociedade; e a dimensão humana que trata das relações profissionais entre alunos, professores, funcionários e comunidade, criunado um clima de trabalho participativo, estimulador e eficaz, com o objetivo claro e explícito de construir uma atuação de equipe, fazendo convergir os objetivos e as ações pedagógicas.
Não é mais aceitável que a visão educacional se reduza simplesmente à sala de aula, ignorando e desconhecendo a abrangência do ato educativo;mas também não se pode pretender “ abraçar o mundo “, ignorando os limites e a realidade concreta da Escola.
A visão meso significa entender a Escola como mediadora entre o educando e a sociedade, quer dizer, a Escola tem a sua especificidade que é formar o educando que é um ser em formação e, portanto, facilitar e desenvolver todas as potencialidades de um cidadão crítico que intervenha e construa uma nova sociedade mais democrática, justa e feliz.
7) Juan Gimeno SACRISTAN no texto: O Currículo- uma reflexão sobre a prática-
Trata do currículo não apenas centrado nas matérias ou disciplinas tradicionais estanques mas vinculado à experiências, a recriação da cultura e a situações problemáticas.
A partir dessa proposta, como você elaboraria um currículo coerente e condizente com a realidade.
Um dos maiores problemas que a Escola enfrenta, atualmente, é o fato de cada docente abordar o seu conteúdo programático desvinculado do contexto histórico e desconectado das diferentes áreas do conhecimento. Isso significa, na prática,que há uma dupla fragmentação da abordagem, onde o educando não consegue fazer as “ pontes “ e vinculações entre si e portanto, assimila um saber compartimentalizado, estanque, pronto e acabado. Quer dizer, nem o professor e muito menos o aluno percebem que o conhecimento é um processo a ser construído gradativamente.
Nesse sentido, o currículo precisa transformar as disciplinas rígidas em áreas de conhecimento que transitem horizontal e verticalmente para uma transdisciplinaridade segundo Edgar MORIN, onde o saber não tem fronteiras e tudo está ligado a todas as coisas numa concepção holística.
Para isso, faz-se necessário selecionar conteúdos significativos para os alunos, buscando permanentemente uma integração entre a teoria e a prática, e de maneira especial, a partir de situações- problema. Se, o processo ensino-aprendizagem trabalhar adequadamente, a problematização, estaremos colocando o aluno no centro da aprendizagem, para que ele aprenda a fazer fazendo e com isso torna-se sujeito da aprendizagem.
Elaborado pelo Prof.Marino Antonio Sehnem
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